Blefaroplastia a laser: menos inchaço e hematomas estão entre as vantagens da técnica

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Laser de CO2 permite maior precisão durante o procedimento e pode favorecer uma recuperação mais confortável, preservando a naturalidade do resultado

O olhar costuma ser uma das primeiras regiões do rosto a revelar os sinais do envelhecimento. Com o passar dos anos, a pele das pálpebras perde firmeza, as bolsas de gordura podem se tornar mais aparentes e o excesso de pele passa a transmitir um aspecto de cansaço constante, mesmo quando a pessoa está descansada.

Para quem se incomoda com essas alterações, a blefaroplastia é uma das possibilidades de tratamento. Nos últimos anos, o uso do laser de CO₂ durante a cirurgia vem ampliando as possibilidades do procedimento, principalmente por permitir maior precisão e reduzir o sangramento, o que pode contribuir para menos inchaço e hematomas durante a recuperação.

Segundo a médica paranaense, especialista em Medicina Estética e fundadora da rede de clínicas Mulherez, Dra. Mirelle Ossipi Ruivo, uma das diferenças está na maneira como o laser atua sobre os tecidos.

“O laser de CO₂ permite realizar a incisão e, ao mesmo tempo, promover a coagulação de pequenos vasos sanguíneos. Isso reduz o sangramento durante a cirurgia e possibilita uma abordagem bastante delicada em uma região que exige muita precisão”, explica.

Quando a blefaroplastia é indicada?

A blefaroplastia é utilizada principalmente para tratar o excesso de pele e as bolsas nas pálpebras. Apesar de ser frequentemente associada ao envelhecimento, não existe uma idade específica para realizar a cirurgia.

Características genéticas podem fazer com que bolsas e excesso de pele se tornem aparentes mais cedo em algumas pessoas, enquanto em outras essas alterações surgem de forma mais evidente com o passar dos anos.

“Não é a idade que determina a indicação. Avaliamos a anatomia da região, a quantidade de pele, a presença de bolsas e, principalmente, aquilo que está incomodando o paciente. Existem pessoas mais jovens com características hereditárias bastante marcadas e outras que só vão perceber essas mudanças mais tarde”, afirma Mirelle.

A especialista ressalta ainda que nem toda queixa relacionada à região dos olhos exige cirurgia. Dependendo das características e do grau de flacidez, outras abordagens podem ser consideradas.

“É comum o paciente chegar perguntando por um procedimento específico, mas o mais importante é entender o que está causando aquele aspecto de cansaço. Nem sempre a cirurgia será a primeira indicação e nem todo tratamento não cirúrgico conseguirá corrigir um excesso de pele já estabelecido”, explica.

O que muda com o laser de CO₂?

Na blefaroplastia convencional, as incisões necessárias para retirar o excesso de pele são tradicionalmente realizadas com bisturi. Com o laser de CO₂, a energia é utilizada para realizar o corte e simultaneamente coagular pequenos vasos.

A redução do sangramento durante o procedimento pode contribuir para menor formação de edema e hematomas no período pós-operatório. Isso não significa, porém, que esses efeitos desapareçam completamente.

“O laser é uma ferramenta que acrescenta precisão à técnica. Ele pode favorecer uma recuperação mais confortável, mas continuamos falando de uma cirurgia. Algum grau de inchaço e sensibilidade nos primeiros dias é esperado e a resposta varia de pessoa para pessoa”, esclarece Mirelle.

Outro diferencial é que, em pacientes selecionados e após avaliação criteriosa, o procedimento pode ser realizado em ambiente ambulatorial, com anestesia local e sem necessidade de internação.

Como é a recuperação?

Uma das principais dúvidas de quem considera realizar a blefaroplastia é justamente quanto tempo será necessário para retomar a rotina. Segundo Mirelle, a recuperação depende da extensão da cirurgia, das características individuais e da resposta de cada organismo. Nos primeiros dias, é comum ocorrer algum grau de inchaço, sensibilidade e alteração na coloração da região.

Os cuidados pós-operatórios também têm papel importante nesse processo. Evitar exposição solar direta, atividades físicas intensas e manipulação da região estão entre as recomendações que podem fazer parte das orientações médicas, de acordo com cada caso.

“O paciente precisa entender que uma recuperação tranquila também depende dos cuidados depois do procedimento. A tecnologia ajuda, mas não substitui o acompanhamento e o respeito ao tempo de cicatrização”, destaca.

Além da evolução tecnológica, Mirelle observa uma mudança importante na expectativa de quem procura a blefaroplastia. Se durante muito tempo procedimentos estéticos foram associados a transformações mais perceptíveis, hoje cresce a procura por resultados discretos.

Na região dos olhos, essa preocupação ganha ainda mais importância porque pequenas alterações podem modificar significativamente a expressão facial.

“Não buscamos criar um novo olhar. A proposta é retirar aquilo que está em excesso e suavizar as bolsas, preservando as características que fazem aquela pessoa ser reconhecida. O bom resultado é aquele que deixa o rosto mais leve e descansado sem parecer que houve uma transformação”, afirma.

Para a especialista, essa busca por naturalidade também reforça a necessidade de evitar excessos e individualizar o planejamento. “O paciente de hoje quer um resultado elegante, natural e compatível com a sua rotina. A tecnologia trouxe recursos importantes para a blefaroplastia, mas o resultado continua dependendo de uma boa indicação, de precisão e, principalmente, do respeito à anatomia de cada pessoa”, conclui Mirelle.