Da Redação
A declaração do presidente da Câmara de Caraguatatuba, Antônio Carlos Júnior, de que teria “perdido o controle” do Legislativo antes de pautar a sessão extraordinária que debateu e votou o projeto relacionado à revogação da taxa de lixo continua repercutindo nos bastidores políticos da cidade.
Para compreender como a fala é vista por quem já ocupou a principal cadeira do Legislativo, o Portal Ligados na Notícia ouviu ex-presidentes da Casa, que compartilharam suas avaliações sobre os desafios, responsabilidades e limites da condução dos trabalhos parlamentares em momentos de forte tensão política.
Presidente por três vezes, Wilson Agnaldo Gobetti, avaliou como infeliz a fala do presidente e, ao mesmo tempo, demonstrou preocupação. “Estar à frente do Poder Legislativo é uma responsabilidade muito grande e que necessita de preparo e, principalmente, um respaldo técnico. Acho que o atual presidente foi infeliz ao dizer isso e demonstrou fragilidade, inclusive, em sua equipe de assessoria técnica que não soube orientá-lo de qual seria o melhor caminho naquele momento”, disse Gobetti.
Neto Bota, que presidiu o Legislativo de Caraguatatuba entre os anos de 2013/2014, enfatizou que objetivos pessoais não devem ser colocados acima dos interesses da cidade. “O presidente da Câmara deve priorizar o bem dos munícipes e o respeito ao dinheiro público. Não deve colocar os objetivos pessoais ou de um grupo acima disso, a cidade é muito mais importante. O diálogo e a imparcialidade são fundamentais para as tomadas das decisões certas. Uma decisão errada pode levar a uma sequência de outros erros, comprometendo todo o trabalho e prejudicando a população”, frisou Neto Bota.
Ainda segundo o ex-presidente, ao enfrentar questões polêmicas quem está na cadeira deve ter equilíbrio. “O trabalho do Presidente exige equilíbrio emocional, muita responsabilidade, transparência e dedicação”, acrescentou.
Ex-vereador por sete mandatos, Celso Pereira, também já ocupou a principal cadeira do legislativo caraguatatubense e, para ele, o atual presidente quis ‘jogar para a torcida’. “O Junior demonstrou ser um cara totalmente sem personalidade, quis jogar para a torcida e não mediu as consequências de seu ato à frente do Legislativo tentando, inclusive, prejudicar o irmão Mateus. O papel do presidente é organizar, buscar o diálogo e não fazer o que ele fez, lamentável esta atitude e preocupante de saber os rumos que Caraguatatuba está tomando”, finalizou Celso Pereira.





